
sábado, maio 17, 2008
quarta-feira, maio 07, 2008
domingo, maio 04, 2008
mãe

haverá flores e serão tristes. haverá sol talvez, mas será tão triste.
lágrimas como mãos sobre o rosto. silêncio negro durante a noite.
não mais entrará no quarto antes de eu adormecer. esperarei sempre
por uma história que nunca contará, por uma canção impossível.
não quero imaginar o dia em que a minha mãe morrer. haverá flores
e serão tristes. haverá vida talvez, mas será para sempre tão triste.
Poema de José Luis Peixoto,
em A Casa, a Escuridão
segunda-feira, abril 28, 2008
quarta-feira, abril 23, 2008

As árvores e os livros
As árvores como os livros têm folhas
e margens lisas ou recortadas,
e capas (isto é copas) e capítulos
de flores e letras de oiro nas lombadas.
E são histórias de reis, histórias de fadas,
as mais fantásticas aventuras,
que se podem ler nas suas páginas,
no pecíolo, no limbo, nas nervuras.
As florestas são imensas bibliotecas,
e até há florestas especializadas,
com faias, bétulas e um letreiro
a dizer: «Floresta das zonas temperadas».
É evidente que não podes plantar
no teu quarto, plátanos ou azinheiras.
Para começar a construir uma biblioteca,
basta um vaso de sardinheiras.
Poema de Jorge Sousa Braga
domingo, abril 20, 2008
terça-feira, abril 15, 2008
quinta-feira, abril 10, 2008
Foi num dia assim
como este
de nuvens carregadas
e o sol longe demais.
(Antes desse tempo,
lembro bem,
os dias cinzentos
não causavam tristeza nenuma em mim!)
Mas, penso,
foi num dia assim
como este
que tu me faltaste.
E, sobre mim,
vieram nuvens escuras e pesadas
- que choraram
- e chocaram
- fizeram trovoadas
- e relampagos tb.
Depois desse dia,
e até hoje,
ainda não consegui
limpar o meu céu.
fatima
Nota: os meus posts, são sempre verdades minhas. Mas, claro, nao resumem toda a minha pessoa, nem todos meus sentires. É verdade esta minha melancolia quase quase permanente, mas tb é verdade que, agora, na fase presente de minha vida, eu consegui o que eu sempre mais desejei (uma familia, em amor). E se restaram em mim todas as dores de todo o meu passado, é porque sinto tudo com demasiada intensidade, o que me faz viver com igual, ou maior, intensidade todas as minhas alegrias presentes. E delas tb falo, aqui no meu blog, claro.Os meus posts, são impulsos que não me esforço para controlar. Vêm de dentro de mim, e não tenho tempo (nem vontade) para "os pensar" muito. Calha virem assim, se gosto e me agradam, assim ficam.Beijos meus, para quem me gosta.fatima
domingo, abril 06, 2008
quarta-feira, abril 02, 2008
sábado, março 29, 2008

Eu ouço apenas um rouxinol
Há quem tenha todas as filosofias do mundo
eu ouço apenas um rouxinol na floresta
-- e isso me basta.
Gosto de ouvi-lo. É tudo.
Bebo o vinho, beijo na língua,
e não sei a casta.
Outros são os enólogos,
os profundíssimos enólogos.
Eu mal distingo o azal do cabernet,
o loureiro do trajadura.
E assim vivo, animal de sons e cheiros,
longínqua e lunática criatura.
Há quem tenha todas as filosofias do mundo.
Eu ouço apenas um rouxinol na floresta
-- e isso me basta.
Gosto de ouvi-lo. É tudo.
Sou de uma espécie rara: estrela-do-mar
em terra, no fim de tarde tranquilo.
Poema de José Carlos de Vasconcelos
em Repórter do Coração
quinta-feira, março 27, 2008
segunda-feira, março 24, 2008

Com as minhas mãos eu posso construir o meu mundo.
E limpá-lo.
E organizá-lo.
E enfeitá-lo.
Fazê-lo, enfim, mais bonito.
É daqueles pensamentos bonitos.
E acertados.
E óbvios.
Mas então, eu olho as minhas mãos calejadas e sujas.
E olho o meu mundo, também.
E penso, pela enésima vez!, em como pensar/falar é tão fácil
e
fazer é tão difícil!!!
fatima
Subscrever:
Mensagens (Atom)












