quinta-feira, julho 31, 2008

Folheto

Sou o comprimido calmante.

Actuo em casa,

sou eficaz na repartição,

sento-me no exame,

apresento-me em tribunal,

colo minuciosamente a louça partida.

Basta que me tomes,

que me ponhas debaixo da língua,

que me engulas

com um copo de água.

Sei o que fazer na desgraça,

como aguentar a má notícia,

diminuir a injustiça,

desanuviar a falta de Deus,

escolher o chapéu de luto a condizer.

Por que esperas?

Confia na piedade química.

Ainda és jovem,

tens que te governar.

Quem disse

que se deve enfrentar a vida?

Entrega-me o teu abismo,

vou aconchegá-lo com o sono,

ser-me-ás grato,

darás a volta por cima.

Vende-me a tua alma.

Não haverá melhor comprador.

Outro diabo já não existe.

Poema de Wislawa Szymborska

em Alguns gostam de poesia


quarta-feira, julho 30, 2008

Estás preso, dizem-nos apontando correntes que fazem de amarras porque nos unem a alguém ou alguma coisa.


Nós acreditamos. Nas palavras que ouvimos e nas correntes que vemos e não são inventadas, estão ali, de facto.


Quedamo-nos.
Sem testar as nossas forças e capacidades e sem tentar as correntes.

Deixamo-nos estar por preguiça ou falta de iniciativa ou desamor à liberdade ou ou ou …



E, afinal, essas correntes , maioria das vezes, são tão, mas tão tão… insignificantes, frágeis, “pequeninas”…


E, afinal, nós somos , sempre, tão fortes, tão capacitados, tão “GRANDES”!

fatima


terça-feira, julho 29, 2008

Às vezes sinto assim, o coração a desfazer.
...............

É sempre de passagem, este sentir:
Há a minha filha!
E flores
e árvores
e cães e gatos e caracóis.

fatima

domingo, julho 27, 2008

"Há sempre uma pequena tristeza
em todas as pequenas alegrias"

sexta-feira, julho 25, 2008

Ninguém é dono da tua felicidade,
por isso não entregues a tua alegria,
a tua paz, a tua vida
nas mãos de ninguém,
absolutamente ninguém.
........................

De Aristóteles em Revolução da Alma

quinta-feira, julho 24, 2008

quarta-feira, julho 23, 2008

eu


Legenda:
How i wonder...

sexta-feira, julho 18, 2008


Confiança





O que é bonito neste mundo, e anima,

É ver que na vindima

De cada sonho

Fica a cepa a sonhar outra aventura...

E que a doçura

Que se não prova

Se transfigura

Numa doçura

Muito mais pura

E muito mais nova...






Poema de Miguel Torga

terça-feira, julho 15, 2008

...

Hoje é um dia bom!

fatima


quarta-feira, julho 09, 2008


A Verdade, é tão mais dificil do que parece.
Eu sei, ela existe.
Não acredito é que algum de nós seja capaz de A descobrir.
Ou então... de A saber dizer.

A Verdade é: como as coisas são em determinado momento.

Mas nós,

ao olhar,

e/ou ouvir,

e/ou tocar,

não apreedemos todas as suas inúmeras caracteristicas.

Mas nós,

ao pensar,

e/ou falar,

e/ou escrever,

não conhecemos todas as palavras que a descrevam.

É costume dizer: existe a minha verdade a tua verdade e a verdade tal qual ela é.

Mas para mim a verdade é apenas uma.
O resto, são falhas nossas.

fatima


segunda-feira, julho 07, 2008

segunda-feira, junho 30, 2008

sexta-feira, junho 27, 2008

(oh...Me... Me... Land on Me )

Passa-me a tua mão pelo meu cabelo.

Põe nela a alma toda de uma vez

e murmura amor, para eu te ouvir,

a música toda das mãos e do sentir.

Passa-me a tua boca pelo meu corpo

e voga sobre as ondas do futuro --

Espelho claro e fundo do oceano,

da vida que se perde e vai recuperando.

Passa-me a tua vida pela minha

enquanto passa a caravana já dispersa

dos sonhos que fizemos noutro tempo

de esperança e de ilusão e de cantigas,

de passeios pelos campos e as praias

em buscas de conchas e de espigas.

Poema de Myriam Jubilot de Carvalho

em E no fim era a poesia


quarta-feira, junho 25, 2008

...

17 anos, a 22 de Junho
queria lhe escrever um poema
não sai nada
(em palavras, claro)
o meu poema é Ela
e nunca houve nem haverá
nenhum mais bonito

fatima


terça-feira, junho 24, 2008

Há bilhões de galáxias no universo observável

E cada uma delas contém centenas de bilhões de estrelas

Em uma dessas galáxias

Orbitando uma dessas estrelas

Há um pequeno planeta azul

E este planeta é governado por um bando de macacos

Mas esses macacos não pensam em si mesmos como macacos

Eles nem sequer pensam em si mesmos como animais

De fato, eles adoram listar todas as coisas que eles pensam separá-los dos animais:

Polegares opositores

Autoconsciência

Eles usam palavras como Homo Erectus e Australopithecus

Você diz to-ma-te, eu digo to-ma-ti.

Eles são animais, certo?

Eles são macacos

Macacos com tecnologia de fibra ótica digital de alta velocidade

Mas ainda assim macacos

Quero dizer, eles são espertos, você tem que conceder isso

As pirâmides, os arranha-céus, os jatos, a Grande Muralha da China

Isto tudo é muito impressionante

Para um bando de macacos

Macacos cujos cérebros evoluiram para um tamanho tão ingovernável que agora é bastante impossível para eles ficarem felizes por muito tempo

Na verdade, eles são os únicos animais que pensam que deveriam ser felizes

Todos os outros animais podem simplesmente ser

Mas não é tão simples, para os macacos

Pois os macacos são amaldiçoados com a consciência

E assim os macacos têm medo

Os macacos se preocupam

Os macacos se preocupam com tudo

Mas acima de tudo com o que todos os outros macacos pensam

Porque os macacos querem desesperadamente se encaixar

Com os outros macacos

O que é bem difícil, porque a maior parte dos macacos se odeia

Isto é o que realmente os separa dos outros animais.

Estes macacos odeiam

Eles odeiam macacos que são diferentes

Macacos de lugares diferentes

Macacos de cores diferentes

Sabe, os macacos se sentem sozinhos

Todos os seis bilhões deles

Alguns dos macacos pagam outros macacos para ouvir seus problemas

Os macacos querem respostas

Os macacos sabem que vão morrer, então os macacos fazem deuses

E os adoram

Então os macacos começam a discutir quem fez o deus melhor

E os macacos ficam irritados, e é quando geralmente os macacos decidem que é uma boa hora de começar a matar a uns aos outros

Então os macacos fazem guerra

Os macacos fazem bombas de hidrogênio

Os macacos têm o planeta inteiro preparado para explodir

Os macacos não sabem o que fazer

Alguns dos macacos tocam para uma multidão vendida de outros macacos

Os macacos fazem troféus e então eles os dão para si mesmos

Como se isto significasse algo

Alguns dos macacos acham que sabem de tudo

Alguns dos macacos lêem Nietzsche

Os macacos discutem Nietzsche

Sem dar qualquer consideração ao fato de que Nietzsche

Era só outro macaco

Os macacos fazem planos

Os macacos se apaixonam

Os macacos fazem sexo

E então fazem mais macacos

Os macacos fazem música

E então os macacos dançam

Dancem, macacos, dancem!

Os macacos fazem muito barulho

Os macacos têm tanto potencial, se eles pelo menos se dedicassem...

Os macacos raspam o pêlo de seus corpos numa ofensiva negação de sua verdadeira natureza de macaco

Os macacos constroem gigantes colméias de macacos que eles chamam de "cidades"

Os macacos desenham um monte e linhas imaginárias na terra

Os macacos estão ficando sem petróleo, que alimenta sua precária civilização

Os macacos estão poluindo e saqueando seu planeta como se não houvesse amanhã

Os macacos gostam de fingir que está tudo bem

Alguns dos macacos realmente acreditam que o universo inteiro foi feito para seu benefício

Como você pode ver, esses são uns macacos atrapalhados

Estes macacos são ao mesmo tempo as mais feias e mais belas criaturas do planeta

E os macacos não querem ser macacos

Eles querem ser outra coisa

Mas não são

terça-feira, junho 17, 2008


Tenho esta ideia fixa de que valemos todos o mesmo.



E que isso é muito pouco, quase quase nada neste Universo tão rico e tão imenso.













E a esse pensamento desinteressante e inócuo, junto outro que interessa (e agrada!) muito mais:




Cada um de nós ganha importância e valor apenas quando desperta em outro sentimentos de amor.
Qualquer amor: fraternal, amigo, apaixonado, …













E, ficamos Únicos e Insubstituíveis. Somos Muito, ou mesmoTudo.
Podemos até ser o Universo de…














fatima

sábado, junho 14, 2008

quarta-feira, junho 11, 2008

segunda-feira, junho 09, 2008


É assim que te quero, amor,
assim, amor, é que eu gosto de ti,
tal como te vestes
e como arranjas
os cabelos e como
a tua boca sorri,
ágil como a água
da fonte sobre as pedras puras,
é assim que te quero, amada,
Ao pão não peço que me ensine,
mas antes que não me falte
em cada dia que passa.
Da luz nada sei, nem donde
vem nem para onde vai,
apenas quero que a luz alumie,
e também não peço à noite explicações,
espero-a e envolve-me,
e assim tu pão e luz
e sombra és.
Chegastes à minha vida
com o que trazias,
feitade luz e pão e sombra, eu te esperava,
e é assim que preciso de ti,
assim que te amo,
e os que amanhã quiserem ouvir
o que não lhes direi, que o leiam aqui
e retrocedam hoje porque é cedo
para tais argumentos.
Amanhã dar-lhes-emos apenas
uma folha da árvore do nosso amor, uma folha
que há-de cair sobre a terra
como se a tivessem produzido os nosso lábios,
como um beijo caído
das nossas alturas invencíveis
para mostrar o fogo e a ternura
de um amor verdadeiro.

Poema de Pablo Neruda