domingo, dezembro 28, 2008

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Confissão
Que esta minha paz e este meu amado silêncio
Não iludam a ninguém
Não é a paz de uma cidade bombardeada e deserta
Nem tampouco a paz compulsória dos cemitérios

Acho-me relativamente feliz
Porque nada de exterior me acontece...


Mas,
Em mim, na minha alma,
Pressinto que vou ter um terremoto.

poema de Mário Quintana

quinta-feira, dezembro 18, 2008

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Como a senhora explicaria a um menino o que é felicidade?

Não explicaria. Daria uma bola para que ele jogasse...










Dorothee Sölle

segunda-feira, dezembro 15, 2008

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Meus êxtases, meus sonhos, meus cansaços...

-- São os teus braços dentro dos meus braços,

Via Láctea fechando o Infinito.







de Florbela Espanca

quinta-feira, dezembro 11, 2008

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Tenho que escolher o que detesto - ou o sonho, que a minha inteligência odeia, ou a acção, que a minha sensibilidade repugna; ou a acção, para que não nasci, ou o sonho, para que ninguém nasceu.


Resulta que, como detesto ambos, não escolho nenhum; mas, como hei-de, em certa ocasião, ou sonhar ou agir, misturo uma coisa com outra.






















de Fernando Pessoa



em Livro do desassossego

quarta-feira, dezembro 10, 2008

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Eu sou deste mundo e destas coisas que são e me levam.



de Humberto Megget

quinta-feira, dezembro 04, 2008

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Este post é a minha resposta a um desafio da

O desafio foi o seguinte:



1- Publicar uma foto minha. 2- Escolher um(a) cantor(a) ou banda. 3- Responder a algumas questões com títulos de músicas da banda escolhida. 4- Passar o desafio a 4 amigos virtuais.

Aqui está o melhor que consegui:



1-



2- Barclay James Harvest



3-



És homem ou mulher- Lady Macbeth



Descreve-te- On the wings of love



O que as pessoas pensam de ti- Rebel Woman



Como descreves o teu último relacionamento- Panic



Descreve o actual estado da tua relação- Sea of tranquility



O que pensas acerca do amor- All my life



Como é a tua vida- Highway for fools



O que pedirias se pudesses ter só um desejo- One hundred smiles (around me)



Escreve uma frase sábia- Fantasy: loving is easy

4-

- http://a-montanha-azul.blogspot.com/

- http://oduendefeliz.blogspot.com/

-http://bananasdarepublica.blogspot.com/

- http://pedemeias.blogspot.com/

:-)

fatima

Para ouivrem BJH:

http://www.imeem.com/people/X3Quas/playlist/l3Ic_H-z/barclay_james_harvest_music_playlist/

domingo, novembro 30, 2008

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Há no meu ombro lugar para o teu cansaço

e a minha altura é para ser medida

palmo a palmo pela tua mão ferida.




Poema de Ruy Belo

sexta-feira, novembro 28, 2008

à "Lua"..

Fui,
e (mas?) voltei.

Só daqui, de longe,
é que parece bem, melhor, mais bonito...

fatima

terça-feira, novembro 25, 2008

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Conhecer alguém que pensa e sente como nós e que, embora distante, está perto em espirito, eis o que faz da terra um jardim habitado...
(Goethe)

sábado, novembro 22, 2008

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Passo muito tempo quieta, parada, sozinha a relembrar pensamentos e raciocínios, meus, de antes. E a verificar mais uma, e outra, e outra, e outras, ..., vezes, como estavam, e continuam a estar, errados.

A sensação é dura, e muito desconfortável. Principalmente porque não tenho em mim outros que os substituam.

É essa a razão de eu estar mais tempo calada.

Não fiquei mais tímida ou reservada.

Sei é muito menos coisas para dizer...

fatima


terça-feira, novembro 18, 2008

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Nunca saberemos se os enganados
são os sentidos ou os sentimentos,
se viaja o comboio ou a nossa vontade
se as cidades mudam de lugar
ou se todas as casas são a mesma.

Nunca saberemos se quem nos espera
é quem nos deve esperar, nem sequer
quem temos de aguardar no meio
de um cais frio. Não sabemos nada.
Avançamos às cegas e duvidamos
se isto que se parece com a alegria
é só o sinal definitivo
de que nos voltámos a enganar.

Poema de Amalia Bautista

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quinta-feira, novembro 13, 2008

E , tontos, inventamos que somos o máximo da seleçao natural...

Deixo beijos e abraços para todos os que me visitam

e,

peço desculpa por não retribuir a atenção mas a verdade é

que ando mesmo sem tempo nenhum livre.

Estou com muito trabalho e isso é muito bom!

fatima

segunda-feira, novembro 10, 2008

segunda-feira, novembro 03, 2008

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Por algum tempo, mesmo

que seja mínimo, as

coisas são perfeitas. A

rosa ganha caule mas

não desabrocha. a faca

brilha no ar mas não

desfere o golpe. Os lábios

humedecem, antes

de cerrar os dentes.







Por algum tempo uma

criança habita a casa, um

gato aquece ao sol a

sua grata pelagem, um corpo

cansado adormece

no lençol limpo.







Por algum tempo, os insultos

não são proferidos

e os corpos enlaçam-se

apiedados do abismo

entre as próprias imagens.






Por algum tempo acreditamos

em grandes amores e viagens. Depois

consumimos

sucedâneos ou literatura.




Por algum tempo, olhamos~

o quadro sem turistas

à frente. Escutamos o virtuoso

sem tosses na assistência.




Por algum tempo, descobre-se

a cura. O amor regressa. A teoria

convence. A fé ressuscita. Acreditamos

em Únicos e Pátrias.



Até que esse algum tempo

perfeito e mensurável

em desmedido tempo

se transforma.




Poema de Inês Lourenço

em Logros consentidos





terça-feira, outubro 28, 2008

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(Escre)ver-me




nunca escrevi





sou

apenas um tradutor de silêncios


a vida tatuou-me nos olhos

janelas

em que me transcrevo e apago


sou

um soldado

que se apaixona

pelo inimigo que vai matar



Poema de Mia Couto
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Nota IMPORTANTE:

Este post eu acho LINDO e,
só por isso,
eu dedico-o a minha,
muito querida e muito amada,
irmã Carla (para mim: kerli)!!!
:)
fatima

domingo, outubro 26, 2008


Deus de vez em quando me castiga. Me tira a poesia.

Olho para uma pedra e vejo uma pedra.



De Adelia Prado

sexta-feira, outubro 24, 2008

Lambchop
- is a woman


domingo, outubro 19, 2008

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A Vida Responsável


Conduzir mas sem ter um acidente,
comprar massas e desodorizantes
e cortar as unhas às minhas filhas.
Madrugar outra vez e ter cuidado
em não dizer inconveniências,
esmerar-me na prosa de umas folhas
e estou-me nas tintas para elas,
retocar de vermelho cada face.
Lembrar-me da consulta ao pediatra,
responder ao correio, estender roupa,
declarar rendimentos, ler uns livros,
fazer umas chamadas telefónicas.
Bem gostaria de me dar ao luxo
de ter o tempo todo que quisesse
para fazer só coisas esquisitas,
coisas desnecessárias, prescindíveis
e, sobretudo, inúteis e patetas.
Por exemplo, amar-te com loucura.

















Poema de Amalia Bautista

quinta-feira, outubro 16, 2008

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Há meses que vivo rodeada
por uma substância negra e pegajosa
que invadiu a minha casa. As paredes,
o chão, as janelas e os móveis,
a comida, os livros e a roupa,
o teclado do computador, as plantas,
o telefone… Está tudo impregnado
com esta pez escura, a mesma que respiro
e que me mata pouco a pouco.
Dizem que os venturosos e os néscios
chamam melancolia a esta porcaria
que apodrece o coração e asfixia a alma.


Poema de Amaila Bautista