sexta-feira, maio 29, 2009

:-)


Passa-me a tua mão pelo meu cabelo.
Põe nela a alma toda de uma vez
e murmura amor, para eu te ouvir,
a música toda das mãos e do sentir.


Passa-me a tua boca pelo meu corpo
e voga sobre as ondas do futuro --
Espelho claro e fundo do oceano,
da vida, que se perde e vai recuperando.

Passa-me a tua vida pela minha
enquanto passa a caravana já dispersa
dos sonhos que fizemos noutro tempo

de esperança e de ilusão e de cantigas
de passeios pelos campos e as praias
em buscas de conchas e de espigas

Poema de Myriam Jubillot De Carvalho
em E no Fim era a Poesia

quarta-feira, maio 27, 2009

sonhos...de papel




Já não me desperdiço em sonhos e projectos.



Os do passado desfizeram-se,
fizeram-se em nada,
e eu afundei junto com eles.



Eram bonitos e importantes.
Mas entretanto concluí que eu tb sou isso (bonita e importante)
sem precisar deles!






fatima

sábado, maio 23, 2009

...



ontem à noite

sonhei de corpo inteiro

-acordei com teu cheiro


de Alonso Alvarez

segunda-feira, maio 18, 2009

....

Seria tão bom se conseguíssemos fazer crescer em nós as coisas boas e deixássemos definhar as outras...


Pq o que há em nós , é o que alimentamos nos outros ,
que connosco convivem.


O mundo seria um lugar melhor mais bonito mais feliz.

--tudo começa em mim aqui agora

fatima

domingo, maio 17, 2009

Boa semana!!

Gentileza, ...., e amor, é o que conta este video

e, claro

eu adoro-o.

Veio para mim com amor, deixo-o aqui para vós com gentileza.

:)

fatima

segunda-feira, maio 11, 2009

...


Aqueles que me têm muito amor
Não sabem o que sinto e o que sou...
Não sabem que passou, um dia, a Dor
À minha porta e, nesse dia, entrou.
E é desde então que eu sinto este pavor,
Este frio que anda em mim, .....
......
Florbela Espanca

sexta-feira, maio 08, 2009

Estou cansada! Pelo menos daqui, vou descansar uns dias...Até já.


Um dia, quando olhares para trás,
verás que os dias mais belos foram os dias em que lutaste.


de Sigmund Freud

quinta-feira, maio 07, 2009

...


O corpo não espera

O corpo não espera. Não. Por nós
ou pelo amor. Este pousar de mãos,
tão reticente e que interroga a sós
a tépida secura acetinada,
a que palpita por adivinhada
em solitários movimentos vãos;
este pousar em que não estamos nós,
mas uma sêde, uma memória, tudo
o que sabemos de tocar desnudo
o corpo que não espera; este pousar
que não conhece, nada vê, nem nada
ousa temer no seu temor agudo...


Tem tanta pressa o corpo! E já passou,
quando um de nós ou quando o amor chegou.

Poema de Jorge de Sena

quarta-feira, maio 06, 2009

:-)


Verbo flor





Se eu flor

Se tu flores

Se ele flor

Se nós flormos

Se vós flordes

Se eles florem


E se não flores assim

Para mim

Plantarei um cacto

No meu jardim

Poema de Marcelo Mário de Melo

terça-feira, maio 05, 2009

nós


Uma pessoa não está onde mora, mas onde ama.



(li por aí, não sei onde não sei quando e não lembro quem escreveu...)

segunda-feira, maio 04, 2009

??

Ha dias em que colocamos em duvida certezas ate entao inquestionaveis.

--A felicidade, é o objectivo primario de nossa vida. A busca e lutas , por ela, sao o unico caminho que conta fazer.

-- Ou o desgaste cansaço e inquietude sao males maiores cujo preço nao vale pagar??

Há dias assim, em que ja nao me apetece a felicidade o prazer intenso a alegria desmesurada!

Apetece ficar quieta e sossegada ,enfim, serenidade, apenas!


fatima

domingo, maio 03, 2009

Mães




Mulher, como te chamas? - Não sei.

Quando nasceste, tua origem? - Não sei.

Por que cavaste um buraco na terra? - Não sei.

Há quanto tempo estás aqui escondida? - Não sei.

Por que mordeste o meu anular? - Não sei.

Sabes, não te faremos mal nenhum. - Não sei.

De que lado estás? - Não sei.

É tempo de guerra, tens de escolher. - Não sei.

Existe ainda a tua aldeia? - Não sei.

E estas criancas, são tuas? - Sim.



Poema de WISLAWA SZYMBORSKA

quinta-feira, abril 30, 2009

Bommmmmmmmmmm fds!!!

Para o meu bem



Os pais tudo fizeram

para o meu bem.

Amparando as quedas

da metafórica bicicleta.

Exorcizando sustos

que eu próprio espantava.

Dizendo, sem dizer,

a razão que tinha Agostinho.

Mostrando, sem mostrar,

a ética diferença.

Os pais tudo fizeram

para o meu bem.

A quem posso eu sair?



Pedro Mexia em, Vida Oculta

quarta-feira, abril 29, 2009

Comovo-me com:








Ama e faz o que quiseres.



Se te calares, cala-te com amor.



Se gritares, grita com amor.



Se corrigires, corrige com amor.



Se perdoares, perdoa com amor.














de Tácito


terça-feira, abril 28, 2009

...

A minha cabeça anda assim.
E começo o dia sem saber das chaves a esquecer o telemóvel e a enganar-me no transito.
A minha filha vai fazendo o que pode. Ou seja, corrige as minhas tonterias e ameniza o stress com boa disposição e sentido de humor.

Ela, hoje:
-- Nome: Andreia Gama
Idade: 17 anos
Ocupação: GPS

:-)

segunda-feira, abril 27, 2009

veio de ti para mim e, agora, .. De Mim para Ti:

um ponto de luz que me seduz aceso na alma

um ponto de luz que me conduz aceso na alma

por traz dessa nuvem ardendo no céu

o fogo do sol vai eternamente quente

liberta-me a mente

liberta-me a mente

um ponto de luz que me seduz aceso na alma

lalalalalalalala

Boa semana, para todos!

Com Sol ou outro qq ponto de Luz a acender-nos por dentro...

fatima

domingo, abril 26, 2009

hoje a minha mãe faz anos e eu estou semre a pensar nela e sempre a lembrar deste poema...


haverá flores e serão tristes. haverá sol talvez, mas será tão triste.

lágrimas como mãos sobre o rosto. silêncio negro durante a noite.



não mais entrará no quarto antes de eu adormecer. esperarei sempre

por uma história que nunca contará, por uma canção impossível.


não quero imaginar o dia em que a minha mãe morrer. haverá flores

e serão tristes. haverá vida talvez, mas será para sempre tão triste.


Poema de José Luis Peixoto,

em A Casa, a Escuridão

sábado, abril 25, 2009

25 de Abril. Liberdade. O nosso bem mais precioso.







Mercado de trocas




Troco um passarinho na gaiola



por um gavião em pleno ar





Troco um passarinho na gaiola


por uma gaivota sobre o mar








Troco um passarinho na gaiola


por uma andorinha em pleno vôo





Troco um passarinho na gaiola




Por uma gaiola aberta, vazia





Poema de Roseana Kligerman Murray

sexta-feira, abril 24, 2009

para a gente nao se acostumar a esquecer coisas importantes:


Eu sei que a gente se acostuma.

Mas não devia.







A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.





A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.





A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.





A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.





A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.







A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.





A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.

Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito.

A gente se acostuma para poupar a vida.

Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.











de Marina Colasanti

quarta-feira, abril 22, 2009