
Porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloqüentes como sempre ou nunca.
Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas.
Já não tentamos o suicídio nem cometemos gestos tresloucados.
Alguns, sim – nós, não.
Contidamente continuamos.
E substituímos expressões fatais como não resistirei por outras mais mansas, como sei que vai passar.
Esse é o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência.
de Caio Fernando Abreu