quarta-feira, agosto 17, 2011

love it

Duas linhas paralelas
Muito paralelamente
Iam passando entre estrelas
Fazendo o que estava esccrito:
Caminhando eternamente de infinito a infinito.

Seguiam-se passo a passo
Exactas e sempre a par
Pois só num ponto do espaço
Que ninguém sabe onde é
Se podiam encontrar
Falar e tomar café.

Mas farta de andar sozinha
Uma delas certo dia
Voltou-se para a outra linha
Sorriu-lhe e disse-lhe assim:
"Deixa lá a geometria
E anda aqui para o pé de mim...!

Diz a outra: "Nem pensar!
Mas que falta de respeito!
Se quisermos lá chegar
Temos de ir devagarinho
Andando sempre a direito
Cada qual no seu caminho!"

Não se dando por achada
Fica na sua a primeira
E sorrindo amalandrada
Pela calada, sem um grito
Deita a mãozinha matreira
Puxa para si o infinito.

E com ele ali à frente
As duas a murmurar
Olharam-se docemente
E sem fazerem perguntas
Puseram-se a namorar
Seguiram as duas juntas.

Assim nestas poucas linhas
Fica uma estória banal
Com linhas e entrelinhas
E uma moral convergente:
O infinito afinal
Fica aqui ao pé da gente.


de José Fanha


terça-feira, agosto 16, 2011

Musica, John Frusciante, Unchanging



.......

life is unchanging
It let me go
Life gave me up
And i have no control
I have no control
Everything goes a way that i do not
I clean up the clouds i ride
I've never been up where i see the others climb
Seems like it must be nice
Laughter's an ugly friend of mine
We share the best and worst of times
Everyone goes where they belong
Nobody goes elsewhere
Never much thought goes to being
Right or wrong

segunda-feira, agosto 15, 2011

a razão do amor é o amor


Não te esqueças de que a tua frase é um acto. Se desejas levar-me a agir, não pegues em argumentos. Julgas que me deixarei determinar por argumentos? Não me seria difícil opor, aos teus, melhores argumentos.

Para fundar o amor por mim, faço nascer em ti alguém que é para mim. Não te confessarei o meu sofrimento, porque ele te faria desgostar de mim. Não te farei censuras: elas irritar-te-iam justamente. Não te direi as razões que tu tens para amar-me, porque não as tens. A razão de amar é o amor. Também não me mostrarei mais, tal como tu me desejavas. Porque tu já não desejas esse. Se não, amar-me-ias ainda. Mas educar-te-ei para mim. E, se sou forte, mostrar-te-ei uma paisagem que fará de ti meu amigo.



de Saint Exupery

domingo, agosto 14, 2011

cansada, eu


e prostrada
e derrotada
...
Mas foi só mais uma luta, que perdi
e nao a guerra toda.
Uns dias de descanso
outros a lamber as feridas
outros a recuperar as forças
e
life goes on...
fatima


quinta-feira, agosto 11, 2011

quarta-feira, agosto 10, 2011

Música, Pedro Abrunhosa, O espaço vazio...





A vida é só este espaço vazio,
um instante demente
entre as margens de um rio.
Um pedaço de tempo,
de mentiras eternas,
uma névoa de gente
de esperanças pequenas.
.......

quinta-feira, agosto 04, 2011

....

´p

Às vezes é preciso dormir, dormir muito.

Não para fugir, mas para descansar a alma dos sentimentos.

Quem nasceu com a sensibilidade exacerbada sabe quão difícil é engolir a vida.

Porque tudo, absolutamente tudo devora a gente. Inteira.

de Marla de Queiroz

quarta-feira, agosto 03, 2011

...

c

Deixem o futuro dormir como merece.
Se o acordarem antes do tempo,
teremos um presente sonolento.

de Franz Kafka


terça-feira, agosto 02, 2011

boa semana...


É preciso não esquecer nada:

nem a torneira aberta nem o fogo aceso,
nem o sorriso para os infelizes
nem a oração de cada instante.

É preciso não esquecer de ver a nova borboleta
nem o céu de sempre.

O que é preciso é esquecer o nosso rosto,
o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso.
O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos,
a ideia de recompensa e de glória.

O que é preciso é ser como se já não fôssemos,
vigiados pelos próprios olhos
severos connosco, pois o resto não nos pertence.

Cecília Meireles

segunda-feira, agosto 01, 2011