domingo, março 09, 2008









Todos os dias sussurro para mim mesma,



mantém o equilíbrio. Tudo te persegue,



tudo assusta, a tua vida inteira depende


de um frágil fio e de um azar injusto.



A tua vontade não pode grande coisa.






Não percas o pé. Mantém o equilíbrio.























Poema de Amalia Bautista

sexta-feira, março 07, 2008

miss you





Perguntas-me por saudades
Eu respondo-te com saudade

fatima

d

quinta-feira, março 06, 2008



Não sei se nascemos juntas,

Não lembro se cresceu comigo.







Hoje habita na parte de dentro de mim e as vezes toma-me por completo.

É uma tristeza imensa,

uma melancolia brava,

que me quebra o sorriso e me turva o olhar.




Nem sempre dou por ela,

são os outros que a notam e logo logo, a tentam espantar.

Não entendem que somos cúmplices e que nos precisamos .

Não entendem que ela me trouxe de volta ao mundo que eu em tempos renunciei.

Não entendem que ela me salvou e me salva ainda todos os dias
porque viver aparte dela é viver num mundo mt mas mt pequenino,
onde não cabem outros com as suas dores misérias tragédias angustias etc etc.




Prefiro pois viver junto com esta minha tristeza,
do que viver sozinha num mundo assim,
pequeno demais….

fatima

terça-feira, março 04, 2008

:)





A Primavera chegará,
mesmo que ninguém mais saiba o seu nome,
nem acredite no calendário,
nem possua um jardim para recebê-la.


Cecília Meireles

domingo, março 02, 2008

...



Alguns -
quer dizer nem todos.
Nem a maioria de todos, mas a minoria.
Excluindo escolas, onde se deve
e os próprios poetas,
serão talvez dois em mil.

Gostam -
mas também se gosta de canja de massa,
gosta-se da lisonja e da cor azul,
gosta-se de um velho cachecol,
gosta-se de levar a sua avante,
gosta-se de fazer festas a um cão.

De poesia -
mas o que é a poesia?
Algumas respostas vagas
já foram dadas,
mas eu não sei e não sei, e a isso me agarro
como a um corrimão providencial.


Poema de Wislawa Szymborska
em Alguns gostam de poesia

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

post para o meu namorado

Borboletas na barriga...

acontecem-me ainda:



-Sempre que te espero.

-Pq sei que tu vens.



Pesos no estômago

nós na garganta,

esses ficaram lá atrás

no tempo das esperas ansiosas

e tantas vezes inúteis.


As minhas emoções continuam

Exaltadas

um tanto Precipitadas

um pouco Violentas.


MAS,

agora eu tenho-te a ti

e o que mudou em mim

mudou para melhor!



Obrigada, por tanto e tanto, mas principalmente por isso!

Beijos de amor,


fatima




terça-feira, fevereiro 26, 2008



Clima-X

Quando, agonizantes, gozamos,

transcendemos

essa história de ser mulher
ou ser marido:

É como se você fosse terra
e eu tivesse chovido.



Poema de Aldir Blanc





sexta-feira, fevereiro 22, 2008

post para a minha filha, querida querida querida

(imagem: you are always on my mind)



Só tu...

Tu olhas-me com confiança

e pões ordem no meu mundo!

fatima





terça-feira, fevereiro 19, 2008






Sei dizer quase tudo
menos o bem
quando o sinto cá dentro.



fatima





Ensinamento

Minha mãe achava estudo

a coisa mais fina do mundo.

Não é.

A coisa mais fina do mundo é o sentimento.

Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,

ela falou comigo:

"Coitado, até essa hora no serviço pesado".

Arrumou pão e café, deixou tacho no fogo com água quente,

Não me falou em amor.

Essa palavra de luxo.

Poema de Adélia Prado

sexta-feira, fevereiro 15, 2008



...Tu me bebes
e eu me converto na tua sede.
Meus lábios mordem,
meus dentes beijam,
minha pele te veste
e ficas ainda mais despida.

Pudesse eu ser tu
e em tua saudade ser a minha própria espera.
Mas eu deito-me no teu leito
quando apenas queria dormir em ti.
E sonho-te
quando ansiava ser um sonho teu.
E levito, voo de semente,
para em mim mesmo te plantar
menos que flor:
simples perfume,
lembrança de pétala
sem chão onde tombar.
Teus olhos inundando os meus
e a minha vida, já sem leito,
vai galgando margens
até tudo ser mar.

Esse mar que só há depois do mar.

Poema de Mia Couto




segunda-feira, fevereiro 11, 2008





Mudar (-me), não posso não quero nem devo!,


mas,

o resto,


farei de tudo!!



:)

fatima







quinta-feira, fevereiro 07, 2008

bom diaaaaaaaaaaaaa


Aceita o universo
Como to deram os deuses.
Se os deuses te quisessem dar outro
Ter-to-iam dado.

Se há outras matérias e outros mundos --
Haja.

Fernando Pessoa









quarta-feira, janeiro 30, 2008

terça-feira, janeiro 29, 2008

vida:varios bilioes de celulas sendo nós, por algum tempo

Ei.(Quero dizer, olá a todos)


Hoje faço anos.
Na verdade acho patetice este comentário meu, afinal todos os dias “fazemos” dias, semanas, meses…
Acontece que nos lembrou de comemorar o aniversario, e apesar de não achar a comemoração de mt interesse tb não tenho nada contra.

Eu penso mesmo que esta mania que temos de dividir o tempo em horas dias semanas meses etc etc é mais uma tentativa parola de o tentar controlar… mas pronto, confesso que a utilidade é mais que muita e não serve apenas de pretexto para inventarmos umas datas que usamos, tipo fatiota apertada, para parecermos, ainda mais… civilizados (não me ocorria a palavra certa pq apenas me lembrava de :pessoazinhas amestradas…) (Estranho, o corrector não reconhece o diminutivo de pessoas. Caramba, mas reconhece a palavra coelhinhos, cãezinhos…).

Bem, já me estou a perder.
Estava apenas a relembrar-me que no natal nós somos todos muiiiiiiiiito bonzinhos, no carnaval estamos todos bué de divertidos, na pascoa fazemos umas festitas familiares ou vamos passear um cadito até à serra ou à praia, nos nossos aniversários oferecemos bolo e apagamos velas, e por aí a fora….

Salvo raras excepções, estamos todos bem treinados.

Dito isto, vou falar de mim.

….

….

Queimei uns neurónios, não há mt a dizer.

Já tenho 37 anos. A sensação que me acompanha sempre que, de noite, deito na almofada é a de ter acabado de nascer.

Não tem sido sempre assim, confesso.

Houve outras alturas de minha vida em que me sentia mais madura, mais experiente, mais sábia.

Houve dias, muitos muitos muitos, em que as certezas eram muitas e as duvidas não eram tantas. E as perguntas não aconteciam tanto ou, tinham resposta…

E eu não me ESPANTAVA tanto!

Talvez eu fosse uma alienada, talvez me deixasse ocupar demasiado com as trivialidades da vida.

Não sei, mas sei que era mais sossegada e tranquila, menos, muito menos, atormentada.

Depois pergunto a mim mesma:

-flor preferida? jeros, AINDA;

-animais preferidos: cães, gatos, caracóis, borboletas, ursos, galinhas, ovelhinhas, cabritinhos, pássaros todos, peixes coloridos. AINDA.

-defeitos: amuada, gulosa, mimada, desorganizada, mimada, gulosa, desorganizada, amuada, desorganizada, gulosa, mimada…, AINDA!

-qualidade: mesmas de cima :)
-musicas que gosto mais: todas dos barclay, alan parsons, jon&vangelis, AINDA.

-lema de vida? Não fazer aos outros o que não gosto que façam a mim, mesmo que esses outros o façam mesmo.

Ufa!!,37 anos, uma grande regressão a nível mental, mas de importante mesmo não mudou nada!

E decido portanto que outras coisas de que falava: a maturidade, experiencia, sapiência, são mesmo pouco importantes!!


Não tenho grande amor à vida, por isso seria hipócrita se viesse para aqui falar de saudades do passado e de esperanças para o futuro.

Tenho um grande grande grande GRANDEEEEEEEEEEEEEE AMOR sim, por algumas pessoas e é por elas e para elas que eu dou ordem a minhas células para que elas SEJAM. Pq viver é apenas isso: nossas células sendo…

Até um dia destes, se minhas células assim o quiserem.
Beijos para todos: a prenda de mim para vocês!


fatima








sexta-feira, janeiro 18, 2008

quinta-feira, janeiro 17, 2008

sem comentários meus...

AVESSO BÌBLICO


No inicio,

já havia tudo.

Mas Deus era cego

e, perante tudo,

o que ele viu foi o Nada.

Deus tocou a água
e acreditou ter criado o oceano.
Tocou o chão
e pensou que a terra nascia sob os seus pés.
E quando a si mesmo se tocou
ele se achou o centro do Universo.
E se julgou divino.
Estava criado o Homem.

Poema de Mia Couto

em:

idades

cidades

divindades





segunda-feira, janeiro 14, 2008

talking about.. interesting things

Já estive quase quase a desistir.


Algumas das vezes era força de vontade minha. Outras eram a desilusão e o cansaço que me impeliam…


Mas sentia-me, sei lá, como que amputada de uma qq parte de meu corpo.


Viver por amor. É do que falo.


Cada um de nós tem as suas necessidades mais prementes. A minha é o amor.


E a busca por ele, talvez seja o sentido de minha vida.


O bem estar e, os prazeres… Confortam-me e, dão-me alegria, mas não me fazem feliz.


Um beijo de amor e um xi-coração apertado, é o supra sumo da felicidade. A minha felicidade.


E sou feliz muitas vezes, admito. Todos os dias, várias vezes por dia, sempre que minha filha se chega a mim…


Mas somos uns incontornáveis insatisfeitos!, penso.


E penso tb que é assim que temos de ser, pq é essa insatisfação que nos leva a ir mais além.


Concluindo:


Pq raio (desculpem a expressão) está sempre em “lá além” aquilo que nos importa mais????


Droga de vida!



Beijossssssss



fatima

terça-feira, janeiro 01, 2008

2008








Para todos nós

eu desejo que

neste ano novo

as coisas boas

ofusquem todas as outras
que nos acontecem....





beijos e carinhos





fatima

terça-feira, dezembro 11, 2007

brrrrrrrrrrrrrrrrrr2


"As vezes ama-se
Outras,
o corpo gela"






quarta-feira, dezembro 05, 2007

terça-feira, dezembro 04, 2007





Esta noite sonhei que era um rio. Um rio pequenino, é certo, que nada mais conhecia além das montanhas onde nascia, dos animais, dos amieiros e dos juncos que nele se debruçavam. Como todos os rios, o que eu mais ardentemente desejava era desaguar. Comecei a perguntar onde ficava o mar, mas ninguém me sabia responder. Apontavam-me com um gesto vago ora o este ora o oeste. Escolhera já a forma de desaguar -- em delta, claro -- mas não recolhera ainda o menor indício da proximidade do mar. Uma noite em que estava acampado entre as dunas cheguei finalmente a uma conclusão (a mesma a que todos os rios chegaram talvez antes de mim): o mar não existia.



(E essa conclusão era salgada.)







Poema de Jorge Sousa Braga,


em O Poeta nu

sexta-feira, novembro 30, 2007

quarta-feira, novembro 28, 2007

a nossa morte é o nada de tudo

Os astros, a Terra, esta sala, são uma realidade, existem, mas é através de mim que se instalam em vida: a minha morte é o nada de tudo.

Como é possivel? Conheço-me o deus que recriou o mundo, o transformou, mora-me a infinidade de quantos sonhos, ideias, memórias, realizei em mim um prodígio de invenções, descobertas, que só eu sei, recriei à minha imagem tanta coisa bela e inverosímel.

De vergílio ferreira

Em aparição

segunda-feira, novembro 19, 2007

amor/familia










Mamã, papá, kelita, leninha e andreia filipa!































Não acredito no sangue, eu.





Quero dizer, não acredito que o sangue que corre nas nossas veias carregue com ele o amor que sentimos por outros.




Não amo a minha filha pq ela nasceu de mim.




Não adoro as minhas irmãs pq elas partilharam o mesmo berço que eu durante 9 meses (aqueles que eu desconfio que são os melhores de nossa vida).




Não sei como é com os outros, mas eu estou certa de que o meu coraçao é completamente livre das amarras com que os genes familiares costumam nos enredar...




Não gosto menos, nao sinto menos amor, por isso.




Muito pelo contrário!, penso!




Sou completamente apaixonada pela minha filha, pelo jeito dela, a alegria que é tão raro ela deixar que esmoreça, a meiguice dela que é infinita e nunca mais acaba, a imaginação, o sentido de humor, a lealdade, a sinceridade, a coerência, retidão, responsabilidade, ambição qb, desinteresse...
Tanta, tanta coisa que minha filha tem, que minha filha é , que eu admiro, aprecio, gosto, tudo junto só podia dar um amor que é maior do que eu e que não quero saber de onde vem e de que matéria é feito.





Os meus amores, não quero saber se são meus familiares!




Nem me incomodava sequer saber que me tinham trocado de filha na maternidade, por ex!

E minhas irmãs, conheço-as tão bem!




Sei quase tudo delas e é aí que o amor está. Nesse conhecimento e tb nas vivências que partilhamos e que nos fizeram ser o que somos hoje.




Um pouco do que eu sou, chama-se kelita e leninha, pq elas estavam LÁ e por AQUI ficaram...





É importante, a historia genética, eu sei. Mas por outras razões que nao as afectivas.




Mais uma vez, não falo por outros, mas apenas por mim mesma.




O meu amor, é real e é verdade, e é devido,unicamente, aquilo que tu és e aquilo que tu me dás e aquilo que eu sou por causa de ti.






















fatima

quinta-feira, novembro 15, 2007




A Bela Acordada











Era uma vez uma mulher que tão depressa era feia era bonita, as pessoas diziam-lhe:



- Eu amo-te.



E iam com ela para a cama e para a mesa.



Quando era feia, as mesmas pessoas diziam-lhe:



- Não gosto de ti.



E atiravam-lhe com caroços de azeitona à cabeça.



A mulher pediu a Deus:



- Faz-me bonita ou feia de uma vez por todas e para



sempre.



Então Deus fê-la feia.



A mulher chorou muito porque estava sempre a apanhar



com caroços de azeitona e a ouvir coisas feias. Só os animais



gostavam sempre dela, tanto quando era bonita como quando



era feia como agora que era sempre feia. Mas o amor dos animais



não lhe chegava. Por isso deitou-se a um poço. No poço,



estava um peixe que comeu a mulher de um trago só, sem a



mastigar.



Logo a seguir, passou pelo poço o criado do rei, que



pescou o peixe.



Na cozinha do palácio, as criadas, a arranjarem o peixe,



descobriram a mulher dentro do peixe. Como o peixe comeu a



mulher mal a mulher se matou e o criado pescou o peixe mal o



peixe comeu a mulher e as criadas abriram o peixe mal o peixe



foi pescado pelo criado, a mulher não morreu e o peixe



morreu.



As criadas e o rei eram muito bonitos. E a mulher ali era



tão feia que não era feia. Por isso, quando as criadas foram



chamar o rei e o rei entrou na cozinha e viu a mulher, o rei



apaixonou-se pela mulher.



- Será uma sereia ? – perguntaram em coro as criadas ao



rei.



- Não, não é uma sereia porque tem duas pernas, muito



tortas, uma mais curta do que a outra – respondeu o rei às



criadas.



E o rei convidou a mulher para jantar.



Ao jantar, o rei e a mulher comeram o peixe. O rei disse à



mulher quando as criadas se foram embora:



- Eu amo-te.



Quando o rei disse isto, sorriu à mulher e atirou-lhe com



uma azeitona inteira à cabeça. A mulher apanhou a azeitona e



comeu-a. Mas, antes de comer a azeitona, a mulher disse ao rei:



- Eu amo-te.



Depois comeu a azeitona. E casaram-se logo a seguir no



tapete de Arraiolos da casa de jantar.








Poema de Adília Lopes

terça-feira, novembro 13, 2007

vazia mas...





Venho aqui mt pouco por falta de tempo.

Mas hoje sobrou-me desse tempo.

E faltou-me algo mais importante.

-Algo para dizer.

Acontece-me muito, esvaziar-me momentaneamente.

Não estou a queixar-me, porque a estes momentos eu chamo de

LIBERDADE.

Por isso, faço o costume: escolho das minha músicas preferidas a que mais me apetece ouvir, coloco no repeat e procuro a pasta das minhas imagens guardadas. Olho as imagens, oiço a música, gozo a LIBERDADE.
-Sou feliz.

Deixo aqui um pouco disso...

Com um beijo meu!






fatima




sábado, novembro 10, 2007

"com as raizes": podem ser .... os meus amuos



Quando eu estiver com as raízes
chama-me com tua voz.
Irá parecer-me que entra
a tremer a luz do sol.


De Juan Ramón Jiménez


sexta-feira, outubro 05, 2007

Tu e eu,

Somos tão diferentes e estamos tão distantes.



Tu e eu…



Tu e eu,

Kilometros afazeres e outras pessoas, tantos/as, entre nós.

E não apenas isso, eu sei.



Tu, do lado do sol.

Eu, fico com a lua.

(Se quiseres ao contrário, tudo bem, eu não me importo)


E de vez em quando cruzamos os olhares,

na direcção da mesma estrela

na mesma altura do dia

e somos então um bocadinho um do outro, eu penso.



Se pensar errado, não faz mal.

Há muito tempo que vivo mais das verdades que vivem em mim do que das realidades que são em redor de mim…



Tu,

beijos e um xi-coraçao e saudades.



fatima

quinta-feira, setembro 13, 2007

..





O que eu sou é o único lugar seguro que conheço.

De Inês Pedrosa
em Fazes-me falta


Música: Dying in the sun
Cranberries

segunda-feira, setembro 03, 2007

...









Esta noite sonhei contigo

Dizias-me ao ouvido: tudo é possível ainda.

Se calhar sorri.

(As vezes sorrio para te agradar

Ou talvez para te dizer que me agradaste.

Não sei.)











Hoje acordei e o dia estava bonito.

O sol bateu em mim e eu sorri.

(Mesmo.)



fatima

quarta-feira, agosto 29, 2007

:-)


Humm,

tenho que confessar duas coisas, nao, três coisas: 1, tenho saudades da blogosfera; 2, muitas saudades do meu blog; 3, tenho receio de já não saber como fazer ...



Bem, queria escrever qq coisa aqui hoje, mas a verdade é que não tenho tempo nenhummmmmmmmmmmmmm para Isto.

Tenho um pouquito de pena, mas não muita, pq meu tempo todo é ocupado em outras coisas que, ou são mais válidas (trabalho das 9h as 19H, cozinhar, lavar a louça, tratar da roupa, arrumar a casa) ou são mais importantes (cuidar e educar), ou são mais prazeirosas (não sei se esta palavra existe, desculpem) (acarinhar e amar).


Muita coisa em minha vida mudou nos ultimos tempos e a única coisa que importa dessas mudanças todas (boas, más, mt boas e mt más, há de tudo...) é que eu sou, estou, sinto-me MAIS FELIZ.


Um dia destes voltarei, para saber de todos aqueles a quem eu me acostumei aqui.

Deixo muitos beijos e relembro saudades....




fatima







Desfloramento

Venho das noites escuras
E aprendi a ver nas trevas
e a ler nas trevas.
Venho das noites escuras
e sei o grande soluço das sombras
e os cânticos impotentes dos peregrinos.
Venho das noites escuras
e daí o meu amor imenso pela luz!
E quanto mais treva era a treva
melhor eu aprendia a amar a luz do sol,
e dos meus olhos sempre mais e mais abertos
a luz interior irradiando aniquilava as sombras...
E sendo sempre noite, era cada vez mais manhã.
E cada vez mais enorme e definitiva, a manhã subia,
a-pesar-da treva, a-pesar-do silêncio, a-pesar-de tudo!
E cada vez mais era manhã. E era ainda a noite.

A flor romântica da treva esfolhou-se nos dedos.
E então nasci.
E então vi que estava nu,
E alegrei-me por estar nu,
enfim!
Sorvi os frutos da terra,
e já não me souberam a papel impresso!
Sacudi a poeira do que me tinham ensinado,
e comecei a saber.
Sob as palavras, desvendou-se então a voz,
e a canção ardente da vida já não encontrou algodão
nos meus ouvidos.

Ah! Só quem veio das trevas e das noites escuras
pode amar assim o imenso mundo do sol!
Poema de Adolfo Casais Monteiro

segunda-feira, julho 02, 2007