quarta-feira, junho 27, 2018

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Não dependem todas as coisas 
da interpretação que damos 
ao silencio que nos rodeia?


De Lawrence Durrell
Fotografia retirada do Tumblr




domingo, junho 24, 2018

sábado, junho 16, 2018

l'un part l'autre reste, Charlotte Gainsbourg

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Ils n`oublieront pas leurs promesses
Ils s`écriront aux memes adresses
Les grands amours se reconnaissent
Lorsque l`un part et l`autre reste





quarta-feira, junho 06, 2018

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O medo

Certa manha, ganhamos de presente um coelhinho das Índias.
Chegou em casa numa gaiola. Ao meio-dia, abri a porta da gaiola.
Voltei para casa ao anoitecer e o encontrei tal e qual o havia deixado: gaiola adentro, grudado nas barras, tremendo por causa do susto da liberdade.

De Eduardo Galeano





domingo, junho 03, 2018

Silencio e tanta gente...


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Ás vezes sou também um sim alegre ou um triste não
E troco a minha vida por um dia de ilusão
E troco a minha vida por um dia de ilusão




domingo, maio 27, 2018

segunda-feira, maio 21, 2018

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- Porque, Hermine? Diz-mo!
- Porque sou como tu. Porque estou só, tal como tu, e porque sou incapaz de amor e levar a sério a vida, as pessoas e eu mesma, tal como tu. Há sempre algumas pessoas que exigem o máximo da vida e que não lidam bem com a estupidez e crueza desta.
(...)



De Hermann Hesse, em O Lobo das Estepes




sexta-feira, maio 18, 2018

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A poesia não está nas olheiras imorais de Ofélia
nem no jardim dos lilases.
A poesia está na vida,
nas artérias imensas cheias de gente em todos os sentidos,
nos ascensores constantes,
na bicha de automóveis rápidos de todos os feitios e de todas as cores,
nas máquinas da fábrica e nos operários da fábrica
e no fumo da fábrica.
A poesia está no grito do rapaz apregoando jornais,
e
no vaivém de milhões de pessoas conversando ou praguejando ou rindo.
Está no riso da loira da tabacaria,
vendendo um maço de tabaco e uma caixa de fósforos.
Está nos pulmões de aço cortando o espaço e o mar.
A poesia está na doca,
nos braços negros dos carregadores de carvão,
no beijo que se trocou no minuto entre o trabalho e o jantar
-- e só durou esse minuto.
A poesia está em tudo quanto vive, em todo o movimento,
nas rodas do comboio a caminho, a caminho, a caminho
de terras sempre mais longe,
nas mãos sem luvas que se estendem para seios sem véus,
na angústia da vida.
A poesia está na luta dos homens,
está nos olhos abertos para amanha.


De Mário Dionísio
Pintura de Paul Klee


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quarta-feira, maio 16, 2018

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Quem é que morreu no dia em que morreste, Inês? A vida somos sempre nós e mais alguém. Mas quando um morrer, todos morrem. Sobrevivem apenas pedaços, desencontrando.se no caminho interrompido. O vento faz o seu caminho e o apaga na passagem.

De  Luís Rosa em O Amor infinito de Pedro e Inês



sexta-feira, maio 11, 2018

quarta-feira, maio 09, 2018

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Nunca percebi quando se deixa de ser pequeno para passar a ser crescido. Provavelmente quando substituímos  os guarda-chuvas de chocolate por bifes tártaros. Provavelmente quando começamos a gostar de tomar duche.Provavelmente quando cessamos de ter medo do escuro. Provavelmente quando nos tornámos tristes. 
Mas não tenho certeza, não sei se sou crescido.

De António Lobo Antunes



quinta-feira, abril 26, 2018

quarta-feira, abril 25, 2018

terça-feira, abril 24, 2018

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Não tens de ser bom.
Não tens de caminhar centenas de quilómetros de joelhos, pelo deserto, arrependido.
Apenas tens de deixar que o animal suave de teu corpo ame aquilo que ama.
Fala-me do desespero, o teu, e contar-te-ei do meu.
Entretanto, o mundo segue em frente.
O sol e os seixos límpidos da chuva atravessam as paisagens,
as pradarias e árvores profundas, as montanhas e os rios.
Entretanto, os gansos selvagens, altos no limpo ar azul,
regressam de novo a casa.
Quem quer que sejas e onde estejas, pouco importa quão solitário,
o mundo oferece-se à tua imaginação,
chama-te como os gansos selvagens, com rigor e entusiasmo,
de novo e de novo, a anunciarem o teu lugar
na família das coisas.


Poema de Mary Oliver
Foto minha


sábado, abril 21, 2018

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Há coisas que nunca
tivemos em crianças e perdem
o valor para sempre. Aquele sempre
dos primeiros dez anos, onde o tempo,
as pessoas, as coisas
parecem enormes e indestrutíveis.

Disfarçar-se de relâmpago
ou de outras coisas impossíveis, comer
todos os chocolates, ter uma bicicleta igual
à do estúpido do vizinho, fazer
as coisas que os adultos escondem
atrás da porta dos quartos, retribuir
a bofetada aos nossos 
legítimos superiores, querer
morder com justa causa 
tanta gente no mundo e 
só poder no escuro
morder uma almofada.


Poema de Inês Lourenço
Ilustração de Yejukoo