
Poça de água
Recordo bem este medo da infância.
Evitava as poças,
sobretudo as novas, após a chuva.
Afinal, uma delas poderia não ter fundo,
ainda que parecesse igual às outras.
Ponho o pé e, de súbito, afundar-me-ei,
voando para baixo,
cada vez mais baixo,
rumo às nuvens refletidas
ou talvez mais além.
Depois a poça secar-se-á,
fechar-se-á por cima de mim,
e eu para sempre trancada - onde -
ficarei com um grito não repercutido à superfície.
Só mais tarde compreendi que ~
nem todas as más aventuras
cabem nas regras do mundo
e mesmo que o quisessem,
não poderiam acontecer.
Poema de Wislawa Szymborska
Em Instante
Música: November, Azure Ray
3 comentários:
Amem-me em vida, esqueçam-me em morto. Triste história triste a dos tristes tugas tristes. Bom dia.
Bjocas.
Bom dia Fátima, fica mesmo bem. Gostei. Gostei mesmo, muito. Bjinho.
Gostei muito do poema que não conhecia.
Um grande bjinho
Enviar um comentário