terça-feira, novembro 28, 2006

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Poça de água









Recordo bem este medo da infância.


Evitava as poças,


sobretudo as novas, após a chuva.


Afinal, uma delas poderia não ter fundo,


ainda que parecesse igual às outras.














Ponho o pé e, de súbito, afundar-me-ei,





voando para baixo,





cada vez mais baixo,





rumo às nuvens refletidas





ou talvez mais além.





















Depois a poça secar-se-á,





fechar-se-á por cima de mim,





e eu para sempre trancada - onde -





ficarei com um grito não repercutido à superfície.





















Só mais tarde compreendi que ~






nem todas as más aventuras






cabem nas regras do mundo






e mesmo que o quisessem,






não poderiam acontecer.














Poema de Wislawa Szymborska






Em Instante










Música: November, Azure Ray

3 comentários:

Josefa Pacheca Pereira disse...

Amem-me em vida, esqueçam-me em morto. Triste história triste a dos tristes tugas tristes. Bom dia.
Bjocas.

pintoribeiro disse...

Bom dia Fátima, fica mesmo bem. Gostei. Gostei mesmo, muito. Bjinho.

as velas ardem ate ao fim disse...

Gostei muito do poema que não conhecia.

Um grande bjinho